O sonífero GP da França, as empolgantes corridas da Áustria e da Grã-Bretanha e o confronto de gerações

Com pilotos de gerações distintas em alta, a Fórmula 1 tem em mãos os ingredientes para viver uma era histórica. Só falta um detalhe.

Por Luís Gustavo Ramiro Gonçalves // Instagram: @automitos

Hamilton, Leclerc e Verstappen são os grandes destaques das três últimas etapas – e da temporada até aqui (Imagem: divulgação FIA)

A pista de Paul Ricard, na França, recebeu a categoria máxima do automobilismo pela segunda vez no século. A Mercedes dominou os treinos, a classificação e a corrida, com Lewis Hamilton vencendo por uma boa margem sobre o companheiro Valtteri Bottas e Charles Leclerc, da Ferrari, que completaram o pódio. Emoção, apenas na última volta, quando Daniel Ricciardo, Kimi Raikkonen, Nico Hulkenberg e Lando Norris disputavam um distante sétimo lugar, uma volta atrás do líder. Imprensa, torcedores e ex-pilotos não perdoaram, sacramentando o fim da temporada tamanha a vantagem conseguida por Hamilton, e mesmo colocando em dúvida o futuro da Fórmula 1 enquanto esporte, dada a falta de competitividade e ação na etapa francesa.

Hamilton conquista vitória maiúscula na França. Bottas e Leclerc fecharam o pódio. (Imagem: divulgação FIA)

Apenas uma semana depois, as críticas à categoria viraram elogios com o show de Max Verstappen no movimentado GP da Áustria. Hamilton largou do quarto lugar em razão de uma punição na classificação e, na corrida, não brilhou. Atacou a zebra com muita força na curva 1 e teve que trocar o bico por causa desse incidente, terminando apenas no quinto lugar. Leclerc largou da pole position e se manteve à frente em quase todas as 61 voltas. “Quase” porque Verstappen, que largou em segundo e caiu para nono ainda na largada, ultrapassou um a um dos carros à frente e garantiu a vitória em linda disputa com o monegasco ferrarista na 68ª volta, com direito a toque e reclamação. Até o momento, a melhor atuação da carreira do holandês da Red Bull, que fez com o Leclerc e Bottas o pódio de menor média de idade da história da categoria.

Verstappen tem dia inspirado e vence de forma incrível na Áustria (Imagem: divulgação FIA)

Mais duas semanas se passaram e a Fórmula 1 desembarcou em sua casa: Silverstone, na Inglaterra. No sábado, Bottas desbancou o companheiro e cravou a pole. Na corrida, uma linda disputa entre as Mercedes, com Bottas conseguindo segurar muito bem o penta-quase-hexa Hamilton. Mais atrás, Leclerc segurava Verstappen em outra linda disputa. Os duelos se mantiveram por várias voltas, até que um erro de Antonio Giovinazzi fizesse com que o safety car fosse acionado e a estratégia de Hamilton prevalecesse sobre a de Bottas, dando-lhe a liderança. Se não havia mais briga pela ponta, Leclerc e Verstappen continuavam digladiando-se ferrenhamente logo atrás. Já na parte final da corrida e à frente do monegasco, o holandês foi para cima de Vettel e o ultrapassou, mas foi atropelado pelo alemão logo em seguida. No fim, Hamilton, Bottas e Leclerc subiram ao pódio.

Hamilton garante a vitória em casa pela sexta vez (Imagem: divulgação FIA)

O saldo dessas três corridas é excelente para três pilotos: Hamilton, que com duas vitórias se encaminha para o hexa; Verstappen, com uma vitória e duas atuações de gala; e Leclerc, três pódios e grandes exibições. O grande nome do presente/passado recente e dois nomes do futuro da categoria. Esse tipo de disputa de gerações é algo que sempre deixa uma marca na rica história da Fórmula 1. Ao assistir a lendas como Hamilton, Vettel e Raikkonen batendo rodas com caras como Verstappen, Leclerc, podemos estar diante de momentos tão interessantes quanto aqueles de um jovem Senna contra os experientes Lauda, Prost e Piquet, ou o menino Schumacher contra as lendas Senna, Prost, Mansell e o próprio Piquet, ou então o garoto Alonso enfrentado o multicampeão Schumacher, ou como os próprios iniciantes Hamilton e Vettel mandando ver para cima de Alonso e Raikkonen.

Aos garotos, somam-se os prodígios Lando Norris, em uma McLaren em ascensão, e George Russell, sem poder mostrar do que é capaz na limitadíssima Williams, mas que já encarou de frente todos esses em categorias de acesso.

Pouca gente ainda duvida que o grid dessa temporada tenha o talento necessário para colocar os dias de hoje nessa lista de grandes momentos do automobilismo. Para cravar de vez esse momento na história, seria muito bacana um equilíbrio maior entre as equipes, de modo que o talento dos pilotos fizesse mais a diferença do que o carro. Hoje, por mais que se esforcem, os pilotos que não andam de Mercedes dificilmente passam do terceiro lugar. Talvez pela hegemonia da equipe alemã, que acaba inibindo uma briga mais aberta pelo título, acabamos por não dar o devido valor às disputas em pista e às corridas atuais. Claro que a vantagem conquistada pela Mercedes é mérito da equipe, mas cabe à organização zelar pela competitividade pelo bem do esporte. Com isso em mente, a FIA apresentou recentemente a proposta de regulamento para 2021, que pretende reduzir os custos e permitir que os carros andem mais próximos, ou seja, mais equipes em condições de fazer carros campeões e disputas mais próximas na pista.

Enquanto o regulamento novo não entra em vigor, resta desfrutarmos as disputas em pistas com mais pontos de ultrapassagem, como Silverstone e Red Bull Ring. Já no próximo domingo, Hamilton, Vettel, Verstappen, Leclerc e companhia voltam à ação na Alemanha, em Hockenheim. E nós do Auto Mitos esperamos não demorar tanto para escrever sobre uma corrida como aconteceu agora…

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