Análise: após punição polêmica a Vettel, Hamilton vence o GP do Canadá mesmo cruzando a linha de chegada em segundo

Em fim de semana inspirado, alemão da Ferrari vence na pista, mas recebe punição e a vitória cai no colo do líder Lewis Hamilton.

Por Luís Gustavo Ramiro Gonçalves // Instagram: @automitos

Vettel coloca a placa “2” em frente ao carro de Hamilton (Imagem: divulgação FIA)

O fim de semana foi o melhor da Ferrari na atual temporada, ao lado do o GP do Barein. Lewis Hamilton bateu sua Mercedes na sexta-feira e os carros vermelhos dominaram os treinos livres. Na sessão classificatória, Sebastian Vettel tirou uma volta mágica da cartola e conquistou uma imponente pole position no apagar das luzes. Já na corrida, vimos, pela primeira vez em 2019, um piloto que não seja da Mercedes cruzar a linha de chegada em primeiro. Mas, mesmo assim, as flechas de prata conquistaram a sétima vitória em sete etapas. Tudo graças a uma polêmica punição à Vettel após errar sozinho na volta 48.

Vamos à sequência dos fatos: no sábado, tudo corria dentro dos conformes na qualificação quando Kevin Magnussen bateu sua Haas no famoso muro dos campeões e a bandeira vermelha foi acionada nos minutos finais do Q2. Sem tempo para mais uma volta, Max Verstappen acabou em uma inesperada 11ª posição. A disputa pela pole se monopolizava entre Hamilton e as Ferraris, com vantagem para o piloto da Mercedes, até que Vettel fizesse um temporal na última parcial de sua última volta e garantisse a primeira posição. Charles Leclerc foi o terceiro. Daniel Ricciardo surpreendeu levando sua Renault ao quarto lugar, à frente da Red Bull de Pierre Gasly e da Mercedes de Valtteri Bottas. Atrás deles, a outra Renault, de Nico Hulkenberg, as McLarens de Carlos Sainz e Lando Norris a Haas de Magnussen. Devido a uma punição de três posições a Sainz por atrapalhar uma volta de Alex Albon e ao fato de Magnussen precisar largar dos boxes em razão de sua batida, Verstappen herdou a nona posição do grid.

Carros se aproximam da curva 1 do GP do Canadá (Imagem: divulgação FIA)

No domingo, com a bandeira verde, as posições dos líderes se mantiveram na primeira volta. O único incidente se deu no fundo do pelotão, em que um toque entre Albon e Kimi Raikkonen custou o bico da STR do tailandês. Verstappen, o único do top 10 a largar de pneus duros, ataca Norris pelo oitavo lugar. Na quarta volta, ele consegue a ultrapassagem, mas é ultrapassado novamente na curva seguinte. Apenas no sexto giro a manobra foi concretizada. Três voltas depois, Norris sofre uma quebra em sua suspensão traseira direita e abandona, deixando seu carro na saída dos boxes, sem necessidade de acionamento do safety car.

Lando Norris abandona após quebra da suspensão de usa McLaren (Foto: Andy Hone – LAT Images)

Vettel liderava Hamilton por cerca de 2 segundos na volta 27, quando parou trocar os desgastados pneus médios por um conjunto de compostos duros com o intuito de ir até o final. Hamilton tentou apertar o ritmo com pista livre, mas também estava com pneus em más condições e parou logo na volta 29, replicando a estratégia da Ferrari. As duas voltas a mais com os médios lhe custaram mais 3 segundos de distância para Vettel. Bottas, na 31, e Leclerc, na 34, param para a mesma estratégia.

Ricciardo conseguiu segurar Bottas por algumas voltas em bela disputa, mas acabou sendo ultrapassado pelo finlandês na volta 38 e perdeu a quinta colocação – virtualmente quarta, uma vez que Verstappen ainda não havia parado (viria a parar apenas na 49). Em paralelo a essa disputa, se iniciava a ação que marcaria a corrida: a pressão de Hamilton sobre Vettel e sua consequência.

Verstappen conduz seu RB15 (Foto: Simon Galloway – Sutton Images)

Em ritmo melhor com os pneus duros, o piloto da Mercedes se aproximou rapidamente do líder ferrarista, reduzindo a distância de 5 segundos para menos de 1. Mesmo mais rápido, o britânico não conseguia se aproximar a ponto de atacar de forma mais contundente, e, inclusive, travou seus pneus duas vezes no hairpin no afã de entrar no retão colado na traseira do rival. Talvez pressionado pela chegada de Hamilton, Vettel cometeu um leve erro na entrada da curva 3 na 49ª volta, deixando seu carro escapar para a grama. Sem perder completamente o controle se deu SF-90, ele conseguiu retornar à pista e se posicionar no traçado ideal, justamente onde vinha a Hamilton, que precisou aliviar para evitar o contato. Em nossa opinião, lance totalmente normal de corrida. Vettel colocou seu carro onde podia e fez, sim, um esforço para defender sua posição, mas nada deliberadamente agressivo ou perigoso, apenas uma correção de um erro cometido por ele próprio e que não prejudicou ninguém além dele próprio. Mas os comissários entenderam de outra forma e aplicaram uma punição de 5 segundos ao piloto alemão.

Vettel volta à pista à frente de Hamilton após escapada (Foto: Zak Mauger – LAT Images)

Nas cerca de 20 voltas restantes, o anticlímax estava instaurado: Hamilton não precisava mais atacar, bastando ficar a menos de cinco segundos de Vettel para se sagrar vitorioso. E assim o fez. Vettel viu a bandeira quadriculada em primeiro, completando um fim de semana quase perfeito para si e para a equipe italiana. Hamilton, o segundo na pista, conquistou sua quinta vitória em sete corridas e começa a caminhar a passos largos para um hexacampeonato. Fechando o pódio, Charles Leclerc, da Ferrari. Bottas se viu fora do pódio pela primeira vez na temporada, mas levou o ponto extra pela volta mais rápida conquistada no fim da prova, quebrando recorde de Rubens Barrichello que durava 15 anos. Verstappen, quinto, conseguiu superar as Renaults na pista em mais uma boa atuação. O time francês aliás, parece ter finalmente acordado para a temporada, com seus dois pilotos no Q3 e na zona de pontuação à frente de uma Red Bull. Gasly, a Red Bull superada pelas Renault, foi o oitavo. Lance Stroll, da Racing Point, correndo em casa, conquistou uma boa nona posição, enquanto a zona de pontuação foi fechada por Daniil Kvyat, da Toro Rosso. Ambos superaram Sainz nas voltas finais. Completando o resultado, Perez, Giovinazzi, Grosjean, Raikkonen, Russel, Magnussen e Kubica. Albon, com problemas mecânicos nas voltas finais, e Norris, não terminaram a corrida.

A Renault reage após início de temporada ruim (Foto: Simon Galloway – Sutton Images)

A polêmica continuou no pós corrida. Vettel reclamou muito no rádio sobre ter a corrida “roubada” pela FIA e largou seu carro na entrada no pitlane, não o levando até o ponto próximo ao pódio onde os três primeiros costumam parar. Depois, foi até a sala dos comissários e ao motor home da Ferrari. A grande imagem da temporada até aqui foi o momento em que Vettel, antes de subir ao pódio, caminha até o carro de Hamilton e troca a placa de “primeiro” pela de “segundo”, que estava no lugar onde ele próprio deveria ter estacionado seu carro. Já no pódio, o constrangimento foi grande. Hamilton ainda tentou chamar Vettel para dividir o degrau mais alto, mas a gentiliza foi dispensada pelo ferrarista. Por fim, Hamilton foi vaiado pelo público e questionou porque estavam o vaiando se ele próprio não havia feito nada. Prontamente, Vettel tomou a palavra e educadamente pediu para que o público não vaiasse o inglês, mas sim a direção da prova.

Vettel e Hamilton em climas diferentes no pódio (Foto: Glenn Dunbar – LAT Images)

Se, dentro da pista, o GP do Canadá não foi nem uma grande corrida nem uma prova ruim, os bastidores e polêmicas farão essa corrida ser lembrada por muito tempo. Esportivamente, a temporada 2019 deixa o Canadá menos emocionante do que antes, com Hamilton abrindo uma confortável vantagem na liderança. Por outro lado, a reação da Ferrari e os ânimos exaltados criam uma expectativa para as etapas futuras. A Fórmula 1 se reúne novamente daqui duas semanas em Paul Ricard, na França. Como sempre, você vai ficar sabendo tudo o que acontecer em mais essa corrida aqui no Auto Mitos. Até lá!

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