Em etapa marcada pelas homenagens a Niki Lauda, erro tático da Mercedes põe fogo na corrida, mas Hamilton segura a pressão de Verstappen e garante a vitória.
Por Luís Gustavo Ramiro Gonçalves // Instagram: @automitos

Como já tem virado tradição em 2019, a Mercedes deu as cartas já no sábado e colocou seus dois carros na primeira fila. Lewis Hamilton comprovou a boa fase ao cravar a pole, com Valtteti Bottas ao seu lado. Na segunda fila, Max Verstappen e Sebastian Vettel, seguidos por Kevin Magnussen e Daniel Ricciardo na terceira fila, Daniil Kvyat e Pierre Gasly (punido com três posições por atrapalhar a volta de Romain Grosjean) na quarta e Carlos Sainz e Alex Albon fechando o top 10. A expectativa era alta sobre Charles Leclerc, correndo pela primeira vez em casa em uma equipe de ponta. Mas um erro de cálculo da Ferrari ainda na primeira parte do treino o deixou de fora do restante da sessão, relegado à 15ª posição do grid.
O Grande Prêmio monegasco ficou marcado pelas homenagens ao eterno Niki Lauda, falecido na segunda-feira anterior. Antes do início da corrida, todos os pilotos se reuniram em torno do capacete de Lauda e prestaram um minuto de silêncio em seu respeito. Os dois maiores nomes da categoria na atualidade, inclusive, utilizaram pinturas de capacete marcantes do piloto austríaco: Hamilton com o modelo do tri, de 1984, e Vettel com o casco dos tempo de Ferrari, na década de 1970. Todos os envolvidos no Grande Prêmio, fossem membros de equipe, funcionários da FIA ou mesmo jornalistas, foram convidados pela FIA a trabalhar utilizando o icônico boné vermelho eternizado por Lauda.

A largada não teve acidentes. Verstappen chegou perto de ultrapassar Bottas, mas recolher o carro para evitar o contato. No fim do grid, Leclerc e Antonio Giovinazzi cortaram a Saint-Devote (curva 1) também para evitar toques. Destaque para a Carlos Sainz, que ultrapassou as duas Toro Rosso (uma por fora) logo no início.
Leclerc, no meio da “turma do fundão”, garantiu o entretenimento da primeira parte da corrida. Passou Lando Norris na fechadíssima curva da Gare, depois se espremeu para ultrapassar Grosjean na Rascasse. Na ânsia de ganhar posições, tentou repetir o ataque que executou bem no piloto da Haas sobre a Renault de Nico Hulkenberg. O resultado foi um toque no guard rail que lhe custou um pneu furado e a perda de todas as posições conquistadas. A volta completa de Leclerc para entrar nos boxes e consertar seu carro acabou deixando detritos na pista, e a direção de prova optou por acionar o safety car na volta 11.

Em uma pista absurdamente travada e inadequada ao tamanho dos carros atuais como as ruas de Monte Carlo, em Mônaco, era de se esperar que as Flechas de Prata vencessem sem sustos. Seria assim, não fosse o tumulto causado pelos pit stops antecipados devido ao safety car.
Sob bandeira amarela, Verstappen e Vettel pararam para trocar os pneus macios pelos duros para irem até o final. A Mercedes optou por compostos médios, cuja durabilidade não indicava ser possível ir até o final. No pit lane, a Red Bull liberou Verstappen rapidamente para tentar ganhar a segunda posição de Bottas. Até conseguiu, mas a saída estabanada causou um toque entre os carros e furou o pneu novinho de Bottas, que havia rodado menos de 100 metros. Verstappen recebeu uma punição de 5 segundos ao final da prova. Bottas teve que parar mais uma vez na volta seguinte e caiu para quarto. Talvez percebendo o erro que havia cometido, a equipe trocou todos os pneus por um jogo de duros, para ir até o final sem problemas.

Na relargada, a sequência era Hamilton, Verstappen, Bottas e Hamilton. O inglês, já informado sobre a dificuldade de manter os pneus inteiros até o final, diminuiu o ritmo. O que se viu por algumas dezenas de voltas foi um “trenzinho” entre os quatro. Hamilton segurava a fila enquanto Verstappen não encontrava espaço para o ataque. Vettel e Bottas só observavam tudo de camarote. Ainda na volta 16, Giovinazzi tocou a Williams em Robert Kubica e causou um tumulto na Rascasse – felizmente contornado sem necessidade de outro safety car. Pouco depois, Leclerc, então 18º e com a corrida completamente prejudicada, teve que abandonar por problemas em sua Ferrari.

A chuva ameaçou das as caras, mas não se firmou, e o grande dilema foi mesmo se os pneus do líder aguentariam a maratona de mais de 60 voltas. Mesmo reclamando constantemente no rádio sobre a condições de seus compostos e da estratégia da equipe, Hamilton conseguia manter a distância sob controle no ponto de ultrapassagem mais evidente da pista (apesar de ainda bastante limitado), a entrada do túnel. O cenário era favorável a Vettel: com Hamilton com grandes possibilidades de parar novamente e Verstappen com uma punição de 10 segundos a cumprir.

Faltando menos de 10 voltas para o fim, ficando mais claro que Hamilton arriscaria levar o carro até o final, a Red Bull autorizou Verstappen a colocar seu motor em configuração de potência máxima para partir para o ataque. O holandês colou definitivamente no inglês, lembrando a tentativa de Mansell ultrapassar Senna na mesma pista em 1992. A duas voltas do fim, finalmente um ataque contundente: Verstappen saiu do túnel muito próximo à Mercedes de Hamilton e arriscou tudo ao mergulhar por dentro na freada da chicane. Hamilton se defendeu e os dois se tocaram – felizmente, sem maiores consequências. Dali até o final, as posições se mantiveram. Vitória de Lewis Hamilton.
Hamilton cruzou em primeiro e conquistou um importante e difícil vitória, aumentando sua vantagem na liderança do campeonato. Vettel, discreto, capitalizou bons 18 pontos com o segundo lugar, mesmo em um final de semana ruim para a Ferrari, e foi o responsável por encerrar a sequência de cinco dobradinhas da Mercedes. O pódio foi completado por Valtteri Bottas, da Mercedes. Verstappen, em ótima prova, foi o segundo a ver a bandeira quadriculada, mas a punição de 5 segundos lhe custou duas posições na classificação final. Em quinto, um distante Pierre Gasly, que ainda teve tempo para colocar pneus novos no fim e conquistar um ponto extra pela volta mais rápida. Completando o top 10, vieram Sainz, Kvyat, Albon, Ricciardo e Grosjean. Fora da zona e pontuação, Norris, Magnussen, Perez, Hulkenberg, Russel, Stroll, Raikkonen, Kubica e Giovinazzi (primeira corrida do ano em que uma Williams não termina em último). Leclerc foi o único a não completar.

Hamilton começa a abrir vantagem na liderança do campeonato sobre Bottas. Vettel passa a ser o terceiro, tomando o lugar de Verstappen, apesar do maior protagonismo do holandês até aqui. Leclerc e Gasly são quinto e sexto na tabela, fechando a classificação das equipes grandes. Naquilo que vem sendo chamado de “Fórmula 1,5” por alguns, Sainz, Magnussen, Raikkonen e Perez, cada um de uma equipe, estão separados por apenas 5 pontos. Uma disputa muito mais acirrada que o topo da tabela…

A Fórmula 1 volta a ação no Canadá, no belo circuito Gilles Villeneuve, em Montreal. A Mercedes é a favorita, com a Ferrari sendo principal candidata à segunda força. A pista canadense propicia boas corridas e, não raro, apresenta clima instável. Faz algum tempo que a chuva não dá as caras na Fórmula 1. Particularmente, torcemos para um fim de semana de pista molhada para que as diferenças entre os carros sejam minimizadas. Seja como for, você verá aqui no Auto Mitos tudo sobre o GP do Canadá. Até lá!





