Lexus LFA – O último samurai V10

Por Luís Gustavo Ramiro Gonçalves // Instagram: @automitos

O Lexus LFA em ação na pista (imagem – Divulgação Lexus)

A ideia do grupo Toyota ter um superesportivo veio do CEO Akio Toyoda no ano 2000. Segundo o próprio, o foco do carro não deveria ser fazer dinheiro, mas fazer sonhar. A marca do conglomerado escolhida para conceber o esportivo foi a Lexus, conhecida por seus sedãs conservadores e silenciosos. Toyoda participou ativamente do desenvolvimento do projeto e autorizou um alto investimento em novas tecnologias e técnicas de construção para leveza e o melhor nível de dirigibilidade possível. As primeiras entregas aconteceram longos 11 anos após a ideia inicial, sendo a demora no desenvolvimento justificada pelo alto nível de capricho e minuciosa atenção a detalhes – o belíssimo ronco do motor, por exemplo, foi pensado em conjunto com os técnicos da área de instrumentos musicais da Yamaha (veja o vídeo abaixo). O resultado final, apresentado em 2010, foi um esportivo confortável, preciso, e incrivelmente rápido.

O som é descrito pelos engenheiros da marca com um “rugido de um anjo”. Dá pra discordar?
(Vídeo de CarSpotterQVS)

Um terço do carro era feito de alumínio, enquanto o restante era de fibra e compostos de carbono. A carroceria foi pensada aerodinamicamente, com recursos como o levantamento automático do aerofólio ao se atingir 80 km/h para maior geração de downforce. O motor, instalado na dianteira, era um 4.8 V10 relativamente leve e compacto criado originalmente para a Fórmula 1, capaz de girar até 9000 rpm e entregar 560 cv de potência. Aliás, essa rotação era atingida pelo motor em apenas 0,6 segundos, o que obrigou a Lexus a instalar um conta-giros digital no carro, uma vez que a tradicional agulha analógica não daria conta de percorrer os números de forma tão rápida. O câmbio era exclusivamente automático de seis marchas, apenas porque a Lexus acreditava que ele pudesse trocar de marcha em menos tempo que qualquer ser humano, levando espantosos 200 milissegundos em cada troca de marcha. Com esse trem-de-força, o Lexus LFA era capaz de chegar aos 100 km/h em 3,5 segundos e atingir uma máxima de 325 km/h. De acordo com publicações da época, a estabilidade do carro impressionava para um tração traseira. Mérito da boa distribuição de peso e do baixo centro de gravidade. Também se elogiava o conforto ao rodar, raro em automóveis com tamanho poder de fogo sob o capô.

A carroceria era limpa, sem vincos ou recortes profundos (imagem: Mecum Auctions)

Considerado um dos três melhores esportivos japoneses das últimas décadas ao lado de Honda NSX e Nissan GT-R, o Lexus LFA entrou para a história como um dos grandes automóveis de seu tempo. Fica na memória dos entusiastas como uma pedra rara, um artigo em extinção. Altíssimo desempenho, motor V10 aspirado, ronco arrebatador, tração traseira, acabamento esmerado e conforto ao rodar. Poucos carros podem se gabar de acumular tantos predicados. Apenas 500 unidades foram fabricadas entre 2010 e 2012, (quase) todas vendidas à época por salgados 375 mil dólares. A boa notícia está no “quase”: segundo a Motor1 americana, ainda hoje, sete anos após o fim da produção, misteriosamente restam 7 unidades zero km em algumas lojas da marca nos Estados Unidos, o que faz do LFA um dos últimos V10 a venda, ao lado de Audi R8 e Lamborghini Gallardo. E aí, está esperando o que para comprar o seu?

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